A declaração do ex-vereador e pré-candidato a deputado estadual Juscelino Kubitschek Campos de Sousa, conhecido como JK do Povão, contrário à contratação de um empréstimo de aproximadamente R$ 400 milhões pelo município de Santarém, reacendeu o debate político sobre financiamento público e investimentos estruturantes na cidade.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, JK questiona quem “vai pagar a conta” da operação de crédito, levantando críticas sobre o impacto financeiro da proposta.
A fala gerou repercussão e abriu espaço para uma discussão mais ampla: afinal, quem tem pago a conta da falta de investimentos ao longo dos anos?
Na prática, essa conta já é sentida diariamente pela população.
É o paciente que enfrenta demora por atendimento e espera por leitos.
É a mãe que encontra unidades de saúde com estrutura limitada.
É o trabalhador que convive com ruas esburacadas e falta de pavimentação.
É o morador de bairros afastados que há anos aguarda obras básicas de infraestrutura.
Mesmo com a existência de parcerias com o governo do Estado e do Governo Federal, o município ainda precisa garantir contrapartidas para viabilizar obras e investimentos estruturantes. Ou seja, não basta apenas anunciar apoio externo: é necessário ter capacidade financeira e planejamento para executar os projetos dentro da cidade.
O centro do debate, no entanto, não se limita à aprovação ou rejeição de um empréstimo, mas à capacidade de apresentar alternativas reais para viabilizar investimentos estruturantes no município.
Especialistas em gestão pública destacam que operações de crédito podem ser instrumentos importantes para acelerar obras e melhorar serviços, desde que acompanhadas de planejamento, transparência e fiscalização rigorosa.
Nesse cenário, cresce a discussão sobre a coerência do discurso político: ser contrário ao financiamento, sem apresentar caminhos viáveis de substituição, pode não responder às necessidades urgentes da população.
Mais do que um embate político, o tema evidencia um desafio histórico de Santarém: como garantir desenvolvimento e investimentos sem comprometer o futuro financeiro do município, mas também sem manter a população convivendo com a falta de infraestrutura básica.
No fim, a discussão que fica é clara: não se trata apenas de quem “vai pagar a conta” no futuro, mas de quem já está pagando essa conta no presente.
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